domingo, agosto 26, 2007

O Preço da Perda

A perda é a realidade dos que pensam possuir, esvai-se o amor por entre os dedos, como água do mar ou areia da praia. O possuir pressupõe a perda, que tarda mas há de chegar, mansa e silenciosa.
Perder é sentir o chão desmantelar-se numa mistura translúcida de sonhos e pesadelos, emaranhados entre as teias da realidade. A perda é o preço da prisão, da liberdade controlada e das asas presas na gaiola.
A perda é música sem som, é dia sem sol, é noite sem luar. É ser sem de fato sentir a pressão no peito dos que se pertencem sem motivos. É acordar um dia e perceber que o presente tornou-se passado, e a realidade apresenta-se sem ressalvas.
O preço da perda é deixar-se desmontar, é abrir as asas em vôo solo, mesmo caindo do ninho protegido. O preço é largar as lágrimas sem rumo, é deixar o vazio preencher-se a si mesmo sem pressa e sem destino.
A perda cobra seu preço, alto diga-se, por que sabe que à ela sobrepõem-se novos caminhos, verdade transformada, que só se justifica com o preço bem pago da perda que destrói.
Perder? É o preço de ganhar, de voar mais alto, de poder mudar a realidade que apavora. É o preço de um dia ter pertencido, mas de querer continuar pertencendo, mesmo que a posse seja o preço a se pagar.

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